Um Bar no Meio do Caminho

“Mauro, valeu pela indicação do bar. A Marilena também gostou.”

“De nada. Achei que iriam gostar. Mas, Carlos, aproveitando que elas foram ao banheiro, queria conversar contigo.”

“Ué, você parece preocupado. O que há de tão ruim?”

“Nada de ruim, só preciso contar algo e ainda não sei como.”

“Vai com calma, então.”

“Faz quantos anos que nos conhecemos?”

“Cara, acho que desde que entramos na firma. Mais de três anos, não?”

“Isso. E com todo esse tempo, eu nunca te contei que não sou da Terra.”

“Nem precisava. Teu sotaque diz tudo.”

“Não, Carlos. Você não entendeu. Eu não sou desse planeta.”

“Tá bom, mas agora me diz o que tu queria mesmo falar.”

“Olha, só. Dá uma olhada na janela do bar, atrás de ti.”

“Que negócio é esse?”

“Pois é, estamos a caminho da galáxia chamada por vocês, de Andrômeda.”

“Cara, eu não sei que efeito é esse, mas gostei desse bar!”

“Vou adotar uma outra abordagem. Um ano atrás, quando você pediu Marilena em casamento, você lembra o que ela fez? Eu te digo. Ela foi até o banheiro e voltou com lágrimas nos olhos. Não foi isso?”

“Sim. Ela te contou?”

“Não. Nós observávamos vocês. É que ela, eu e Fernanda não conseguimos chorar, então tivemos que improvisar. Não é isso, Marilena?”

“Ainda bem que vocês voltaram. Já estava cansado dessa brincadeira do Mauro.”

“Não. É tudo verdade. Você está num ambiente simulado. Lamento te contar, mas você foi abduzido.”

“Ô, Marilena! Tinha logo que contar! Carlos, fica calmo. Toma um copo d’água, meu amigo.”

“Olha, vamos parar porque já perdeu a graça. Ei! Está tudo ficando embaçado. O que colocaram na água?”

“Fica tranquilo, amigo. Quando acordar, vai voltar tudo ao normal. Estamos ainda no meio do caminho. É hora de começarmos esses três anos, mais uma vez.”

Antonio M. A. Menezes.